Até quando você vai carregar caixas que não são suas?
Domingo foi o Dia Internacional da Mulher! E eu quero começar esse texto te
dizendo uma dura verdade, que irá te trazer liberdade e leveza:
“O peso que você carrega não é seu.
Solte o mundo para não ter que soltar a si mesma.”
E no último sábado eu tive a honra de falar com as mulheres aqui de
Salesópolis sobre a sobrecarga feminina. Eu entrei carregando sete caixas e é
sobre elas que eu quero falar com você hoje.
A primeira caixa era grande e estava escrito: Expectativa dos Outros. Você
sabe por que ela dói, por que carregar essa caixa pesa tanto? As mulheres
hoje se preocupam muito com o que a mãe, o pai, o marido, os amigos ou a
sociedade esperam que ela seja. Somos educadas para agradar aos outros.
A segunda era a caixa do Silêncio. Essa caixa representa tudo o que as
mulheres engolem todos os dias para não gerar conflito. As mágoas que
viraram “nódulos” na garganta e na alma. Os “nãos” que ela queria dizer, mas
não disse, para agradar aos outros ou evitar brigas, ressentimentos ou
situações difíceis.
Quando falei da terceira caixa, sei que toquei em um ponto delicado. A caixa
do Sou eu quem faz TUDO. Eu digo isso porque doia em mim! Fomos levadas
a pensar sempre que somos responsáveis e obrigadas a fazer tudo por todos.
Somos a responsável pelo marido, pelos filhos, pelo pai, pela mãe, por toda a
família, pelo trabalho, pela equipe….
A quarta caixa era O medo do julgamento. Nessa caixa estava o medo de ser
criticada por mudar ou por cuidar de si mesma. A pergunta que grita em nossa
cabeça é: “o que vão dizer?”. Vejo todos os dias mulheres dizendo que não podem parar para se cuidar pois as pessoas vão julgar, vão achar que ela é relapsa, está sendo egoísta.
Uma das caixas mais difícil de confrontar é a Autocobrança. Nós mulheres
somos a nossa própria carrasca, pois dizemos que nunca é o suficiente, não
importa o quanto nos esforcemos.
Segurar a sexta caixa foi uma das coisas que me fez chegar a pesar 140kg e
que pode estar fazendo você também sofrer com a sobrecarga – Cuidar de
todos menos de MIM. Sabe aquela sensação de que temos que cuidar do
marido, dos filhos, do pai, da mãe, da equipe… e esquecer de cuidar de nós
mesmas?
Agora a mais pesada para todas as mulheres é a sétima caixa: CULPA.
Carregamos a culpa de não ser a mãe perfeita, a profissional perfeita ou a
culpa de simplesmente querer descansar. É a caixa mais difícil de soltar.
Por que nosso cérebro se recusa a soltar essas caixas?
Você pode estar se perguntando: “Giovana, se essas caixas pesam tanto, por
que eu simplesmente não as coloco no chão?”. A resposta está no nosso
design biológico.
A Neurociência explica que o nosso cérebro é um órgão social. Para as nossas
ancestrais, ser aceita pelo grupo era uma questão de sobrevivência e ser
expulsa do bando significava a morte. Por isso, quando você tenta soltar a
caixa da Expectativa dos Outros ou da Culpa, seu cérebro ativa o Sistema de
Ameaça (a Amígdala Cerebral – aquela estrutura no nosso cérebro
fundamental para o processamento de emoções, especialmente medo,
ansiedade e raiva).
Para a sua mente, dizer um “não” ou priorizar a si mesma soa como um risco
de rejeição. A sensação de “morte social” dispara o cortisol, o hormônio do estresse, fazendo você sentir que é mais “seguro” carregar o peso do mundo do que enfrentar o desconforto de desagradar alguém.
Nós nos obrigamos a carregar essas caixas porque fomos treinadas para acreditar que o nosso valor
está no que fazemos pelos outros, e não em quem somos.
Além disso, a Autocobrança e a Culpa criam um ciclo vicioso de dopamina
reversa: nós buscamos a perfeição para evitar a dor da crítica, mas como a
perfeição é impossível, o cérebro nunca recebe a recompensa de “dever
cumprido”, mantendo-nos em um estado de ansiedade crônica.
Vamos fazer uma atividade prática? A Cerimônia de Entrega
Quem esteve comigo no evento do último sábado, pode vivenciar uma
experiência única – apliquei uma ferramenta de PNL (Programação
Neurolinguística), onde realizamos uma visualização para a libertação das
cordas que nos prendiam a essas caixas.
Para que você comece a se livrar dessas caixas hoje, não basta apenas
entender o conceito, é preciso agir. Quero que você faça um exercício de
Externalização Cognitiva:
1. Identifique a sua “Caixa Mestra”: Das sete caixas que listei, qual é a que
está tirando o seu sono hoje? Escolha uma só para começar.
2. O Exercício do Papel e do Lugar: Escreva em um papel tudo o que está
dentro dessa caixa. Seja específica. “Sinto que tenho que fazer o jantar
mesmo exausta para não ser julgada pela minha sogra”.
3. A Devolução Simbólica: Olhe para o que escreveu e faça a pergunta de
ouro da gestão emocional: “Isso é meu ou é do outro?”. Se a expectativa
é do seu marido, a caixa é dele. Se o julgamento é da sociedade, a caixa
é dela.
4. Ação de Descompressão: Escolha uma coisa — apenas uma — que você
vai deixar de fazer esta semana para provar ao seu cérebro que o mundo
não desmorona. Deixe a louça na pia e vá tomar um banho demorado.
Diga que não pode assumir aquele compromisso extra.
O seu novo peso
Ao soltar essas caixas, você sentirá um vazio inicial. Não se assuste. Esse vazio
não é falta de propósito, é espaço. Espaço para respirar, para criar e para,
finalmente, cuidar da pessoa que sustenta todas as outras: VOCÊ.
Eu precisei chegar aos 140kg para entender que meu corpo estava
materializando o peso das caixas que eu não tinha coragem de soltar. Hoje,
minha missão é garantir que você não precise chegar ao seu limite físico para
entender que a sua liberdade começa quando você decide que não é um
depósito de expectativas alheias.
Coloque as caixas no chão. Suas mãos foram feitas para construir a sua
felicidade, não para carregar o peso do mundo.
“O mundo não vai desmoronar se você colocar as caixas no chão, mas você
finalmente terá as mãos livres para construir a vida que merece viver.”
Giovana Quini é neuropsicanalista com mais de 30 anos de experiência em
gestão empresarial e hoje continua cuidando de mulheres, ajudando a
saírem da sobrecarga e da anulação para conquistar uma vida mais leve sem
deixar a alta performance de lado.






