5G: a revolução será agora?

 

(*) Por Hermano Albuquerque

Os visionários podem afirmar que o 5G oferecerá acesso às novas tecnologias como IoT, IA, carros autônomos, automação residencial, cidades inteligentes, Indústria 4.0 e tantas outras que surgirão com a busca pela Transformação Digital. As empresas e países que não agirem neste momento terão grandes desvantagens na geração de novas oportunidades de negócios, oferta de serviços e conhecimento, em relação às potências globais que estão de fato investindo na tecnologia 5G.

A Deloitte Consulting estima que será necessário investimentos de US$ 130 a US$ 150 bilhões em infraestrutura de fibra óptica para construir o 5G nos Estados Unidos, no prazo de cinco a sete anos – sem contar os demais países. No Brasil, o montante total de investimentos para implementação do 5G gira em torno de R$ 48 bilhões, mas não há uma quantia exata do quanto será destinado à fibra óptica.

Ao olharmos para o mundo pós-covid 19, percebemos que a sobrevivência econômica e social está ligada à capacidade de trabalhar e se entreter à distância. Se há um momento para que uma nova e revolucionária tecnologia de internet tome posse, esse momento é agora.

Os serviços de backhaul – rede que conecta a infraestrutura móvel à infraestrutura principal – evoluíram para ampliar o tamanho do pipeline de dados que chegam às estações móveis a partir de circuitos de cobre TDM (time-division multiplexing, uma técnica para multiplexação de sinais analógicos) entregues a múltiplos serviços Ethernet de 1Gb ou 10Gb iluminados sobre fibra para o 4G LTE.

O padrão 5G apresenta uma nova arquitetura dependente de uma infraestrutura de fibra óptica de alta qualidade, pois será necessária em áreas mais próximas do usuário onde a fibra in-ground talvez não tenha chegado. O 5G móvel introduz a virtualização e desagregação das funções da unidade de banda base (BBU) e unidades de rádio remoto (RRH), distribuindo-as em múltiplos elementos de rede como a Unidade Central (CU), a Unidade de Distribuição (DU) e a Unidade de Rádio (RU).

Estes elementos de rede reúnem os recursos para múltiplas unidades de Rádio em uma unidade DU e CU. A distribuição destes recursos na planta externa resulta em uma arquitetura “x-Haul” de 5G com possíveis rupturas de mercado e/ou oportunidades para provedores de serviços de backhaul. Os principais fornecedores de serviços móveis têm se preparado para a mudança fundamental na infraestrutura de fibra, investindo fortemente no acesso local à fibra.

A proposta de valor do 5G para provedores de serviços móveisvai muito além dos serviços de banda larga móvel aprimorados, colocando “fatias de rede” para suportar novas ofertas de serviços. Internet das coisas, energia e agricultura inteligentes e aplicações críticas de desempenho, como carros autônomos, são algumas das muitas aplicações da tecnologia 5G.

A arquitetura 5G x-Haul de suporte exigirá não apenas atualizações significativas de largura de banda nas conexões de transporte do backhaul, mas nos segmentos de rede de distribuição (midhaul) e acesso (fronthaul), para que de fato as aplicações de 5G funcionem muito além da geração anterior.

Os transceptores de ponto final de fibra óptica serão instalados em bairros, postes de luz e de serviços públicos e até mesmo semáforos, ou seja, em ambientes inóspitos para componentes de fibra óptica padrão. Estes trabalham em temperaturas operacionais de 0°C a +70°C, projetados para uso em escritórios centrais climatizados ou instalações de hubs.

O novo modelo de negócio do backhaul está preparado para chacoalhar o ecossistema tradicional de backhaul nas redes móveis.O sucesso neste novo modelo será impulsionado por participantes que se adaptam rapidamente para resolver os desafios de oferecer serviços 5G x-Haul.

* Hermano Albuquerque é diretor-geral Latam do Grupo Halo/Skylane Optics

 

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