Gestão por projetos torna empresas tech competitivas

 

Liquidez financeira permite alcançar objetivos mais rápido nesse segmento

Uma das principais características das empresas de tecnologia é a estruturação financeira por gestão dos projetos desenvolvidos. Neste cenário, estão contempladas as start-ups, que com liquidez financeira, ou seja, a capacidade de converter os ativos da empresa em dinheiro, têm mais chance de serem adotadas por empresas anjos que podem fazer investimentos. Já os grandes players do mercado são mais competitivos quando têm valores na mão para transacionar. Essas empresas contam com equipes ágeis e enxutas, duas características do segmento acentuadas com a pandemia.

Segundo o gerente de controladoria e finanças da empresa de TI Gateware, Myshell Souza, a controladoria considera cada projeto como unidade de valor, por conta da forma de utilização da mão de obra dos colaboradores. “Nas empresas tech, o maior ativo é o capital intelectual, sendo assim necessitamos ter um acompanhamento mais apurado para que erros não se tornem custos”, afirma, explicando que o controle por projeto garante melhor administração da receita.

Nessa linha, a especialista em precificação e finanças Beatriz Machnick ressalta que as empresas de tecnologia vendem um produto intangível para o cliente e, por isso, os cuidados financeiros são ainda mais importantes. “Quando falamos desse tipo de empresa, falamos também do conhecimento agregado ao tempo oferecido na prestação de serviço. Trabalha-se com uma precificação que considera alocação de tempo e essa receita também não é recorrente, sendo mais sensível. É preciso trabalhar com planejamento, previsibilidade de receita e ser bastante atuante na área comercial para não haver prejuízo”, destaca.

Nessa direção, definir qual o regime contábil que a empresa de tecnologia adotará trilha o caminho que se pretende seguir no controle e gestão.

 

Regime de caixa ou regime por competência no segmento tecnológico?

Eis a questão

Essa é uma das principais questões que o empreendedor da área terá que decidir. Ao optar pelo regime de caixa ou de competência, define-se o método para registrar quando acontecem as compras ou vendas na empresa.

Regime de caixa é ideal para start-ups

No caso do regime de caixa, as principais vantagens tratam da liquidez financeira, por considerar o dinheiro que a empresa realmente tem. Nessa modalidade, aumentam as chances de projeções certeiras. “O regime de caixa permite um acompanhamento muito próximo do cotidiano da empresa, evitando que haja necessidade de empréstimos para manter o capital de giro”, diz. Myshell destaca que, para as start-ups, o regime é essencial. “Quando se abre um negócio, a empresa precisa vender, afinal há uma curva de amadurecimento para cumprir. Se há desembolso de dinheiro primeiro e emissão de nota, se recolherá impostos antes de receber o pagamento do cliente. Assim haverá um impacto muito grande no fluxo de caixa”, afirma.

O regime de caixa reconhece essas situações e sincroniza a despesa com a entrada, o que é indicado para PMEs (pequenas e médias empresas) ao facilitar impulsos a novos negócios.

Regime por competência permite planejamento a longo prazo

Empresas maduras estão em outro patamar e conseguem se sustentar com um reforço de caixa que permite que os pagamentos sejam adiantados e atuem sob um prazo mais alongado de recebimento. “A vantagem é que se consegue olhar a saúde financeira da empresa de outra forma, pois há uma estrutura robusta, o que facilita o estabelecimento de parcerias. Por meio de relatórios e indicadores, prova-se para credores e acionistas a situação do negócio”, destaca o contador.

Com o regime por competência, chega-se a um panorama completo dos processos de forma mais rápida, com registros de valores totais, independente se haverá recebimento parcelado ou não. Mas há o desafio de reduzir o prazo entre o que entra e o que sai. “É necessário ter uma margem para lucratividade possível e juros pelo tempo envolvido. Há um planejamento a longo prazo embutido que pode ser utilizado como argumento a investidores de que a empresa está indo bem”, ressalta.

Em tempos de flutuações econômicas e de pressão do mercado para que as empresas sejam ambivalentes, são as respostas em tempo real que uma contabilidade dinâmica permite o que importa nos dois casos dos regimes contábeis. Com isso, se evidencia uma capacidade de dar feedbacks sobre informações alinhadas aos objetivos do fim de mês, com possibilidade de fazer diagnóstico e prognóstico. “Também é possível corrigir possíveis erros na trajetória”, diz.

A contabilidade juntamente com o departamento financeiro, portanto, não se limita apenas a um setor que deve apenas entregar obrigações para o Fisco. Tem de ser eficiente, multitarefa e dar resultado, afinal é a partir dessa equação é que se distribuirão os recursos.

 

Sobre a empresa – Focada em tecnologia e inovação, a Gateware foi fundada em 2000. Com matriz localizada em Curitiba, no Paraná, também possui unidades em São Paulo, Rio de Janeiro, Argentina e EUA. Atualmente, possui mais de 100 funcionários e atua em quatro suites: GW Value Strategy (PMO Gestão de Projetos e GMO Gestão de Mudanças), GW Outsourcing (Alocação e Hunting de Profissionais de TI), GW Solution (Aplicativo LivID que realiza Prova de Vida e Recadastramento Digital por meio do reconhecimento facial e inteligência artificial) e GW Labs (Fábrica de Softwares Multiplataforma). Seu mais novo produto é o app LivID, que foi desenvolvido pela Bexpo, startup recém-adquirida pela provedora de soluções em tecnologia.

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