Será que você é empreendedor? Ações de alunos e da USP te ajudam a descobrir

Empreendedores individuais e startups: conheça experiência de alunos e saiba como é possível empreender desde a graduação

Vitor Oliveira Lima é o Mano do Cell, aluno da Escola Politécnica (Poli) da USP, em São Paulo, no curso de Engenharia Elétrica. Apesar de ter sido bolsista de iniciação científica, Vitor precisou encontrar uma solução adicional para auxiliar a família financeiramente no início da pandemia, quando seu pai, prestes a se aposentar, perdeu o emprego.

O incentivo dos colegas de curso não apenas o inspirou a ingressar no mundo prático da manutenção técnica de aparelhos eletrônicos, como também o possibilitou a começar o trabalho, de fato. Após uma enquete, mais de 600 estudantes escolheram o nome do novo negócio do Vitor: a assistência técnica Mano do Cell. A princípio, Vitor trabalharia apenas com celulares.

“Por mais que seja uma forma de empreender, a assistência técnica é um negócio concorrido. Então, procurei diversificar a base de materiais com que eu trabalho, recebendo também computadores, notebooks, videogames e tablets. Ainda não consegui um volume suficiente para sobreviver apenas disso, mas o trabalho abriu outra porta para um estágio no projeto Inspire!”, conta o aluno que agora integra o grupo de pesquisadores responsáveis pela produção do respirador pulmonar de baixo custo, criado e desenvolvido pela Poli.

Vitor Oliveira Lima, estudante da Poli e criador da assistência Mano do Cell – Foto: reprodução

Com o nome escolhido, ainda faltava grana para estruturar seu negócio. O investimento inicial veio de uma vaquinha feita pelos estudantes do Centro de Engenharia Elétrica e de Computação (CEE).

Daniela Calfat, aluna de engenharia elétrica. Foto: facebook.

Daniela Calfat, aluna de Engenharia Elétrica -Foto: arquivo pessoal

“O pessoal que participa do CA sempre foi muito unido e sabíamos da vulnerabilidade dele, inclusive da distância que enfrentava para sair de casa e chegar até a faculdade. Ele decidiu que usaria seus conhecimentos e nós o apoiamos”, conta Daniela Calfat Maldaun Duarte, presidente do CEE.

Assim como Vitor, Daniela é aluna de Engenharia Elétrica e encontrou na venda de bolos a possibilidade de se manter financeiramente nos últimos três anos. Depois de perder o pai, deixou o Vale do Paraíba e veio viver com os avós em São Paulo. Para ela, o processo de empreender se deu menos por incentivo e mais por necessidade.

“Como mulher, sou minoria na engenharia. A USP está mais diversa e isso é ótimo, mas ainda encontramos dificuldades de encontrar nosso espaço, de sermos ouvidas.”

Atualmente no terceiro ano do curso, Daniela deve deixar a aptidão culinária de lado a partir do segundo semestre, quando começará a estagiar em sua área de formação. Ela conta com orgulho que a venda de bolos possibilitou a compra de seu notebook e o aluguel do apartamento onde mora com amigos.

Ayo e as Formiguinhas traz uma narrativa educativa, divertida e resgata o senso de pertencimento identitário ao apresentar personagens parecidos com toda criança negra, o que não se costuma ver estampado nas páginas de um livro - Autoria de Tamis Ferreira e ilustração de Oberon Blenner​

Ayo e as Formiguinhas traz uma narrativa educativa, divertida e resgata o senso de pertencimento identitário ao apresentar personagens parecidos com toda criança negra, o que não se costuma ver estampado nas páginas de um livro – Autoria de Tamis Ferreira e ilustração de Oberon Blenner

Longe do ambiente politécnico, a aluna de Pedagogia da USP, em São Paulo, Tamis Ferreira decidiu se aventurar na criação de um projeto de educação afrocentrada. Ela detectou a ausência de um espaço de construção afirmativa de infâncias pretas e passou a pesquisar brincadeiras africanas.

No repertório dos jogos e brincadeiras, a educadora lança mão do saber quilombola e da sabedoria africana para contar histórias nas redes sociais sob a perspectiva do “axé pedagógico”. Assim surgiu a página Xirê de Quintal. Uma iniciativa solo, mas um terreno fértil que gerou um desdobramento: o livro Ayo e as Formiguinhas. Para custear a impressão, o livro está em uma campanha de financiamento coletivo.

“O meu projeto surgiu a partir da carência gritante de uma educação preta inclusiva, permanente e que valorize tanto as narrativas pretas africanas e diaspóricas, quanto às já hegemônicas europeias na graduação”, explica a estudante.

Tamis Ferreira, aluna de Pedagogia – Foto: arquivo pessoal

Empreendedor independente

Embora tenham perfis diferentes, Vitor, Daniela e Tamis carregam consigo características de empreendedores independentes. Criatividade, inovação, engajamento, oportunidade e planejamento são algumas das competências empreendedoras descritas por diversos autores do campo econômico e comportamental. Capacidade que superam as bases teóricas de um indivíduo.

Para Fernando Lenzi, doutor em administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, em São Paulo, ainda que a pessoa possua todo o conhecimento necessário para sua colocação no mercado, é imprescindível que ela seja capaz de unir o saber a atitudes que estejam alinhadas às suas habilidades. Sua tese aplicou um teste que associa o perfil empreendedor a um conjunto de tipos psicológicos. O teste foi desenvolvido pela co-orientadora do trabalho, a professora da FEA Tania Casado, também coordenadora do Escritório de Carreiras (ECar) da USP.

“Será que eu escolhi a graduação correta? Será que levo jeito para empreender? Para qualquer trajetória profissional, o ECar ajuda os alunos a fazerem o seu processo de autoconhecimento.” Além dos atendimentos individuais, a coordenadora conta que o escritório promove oficinas, eventos e lives sobre diversas linhas de empreendedorismo, o que ampliou consideravelmente o público.

“Startup, empreendedorismo, inovação, carreira, coaching… tudo isso integra um vocabulário muitas vezes utilizado levianamente. É preciso separar o joio do trigo, porque nosso aluno merece”, diz. Ela ressalta a importância e o pioneirismo do mestrado profissional em Empreendedorismo da FEA, mas lembra que a preocupação com o desenvolvimento da carreira profissional está em todas as unidades. “Não podemos mais formar uma pessoa só para trabalhar nas empresas; há alternativas”, conclui.

Fonte: jornal.usp.br

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